
Bem longe daqui... para sempre...
Mais uma reanimação... e a sensação de ser activa, de estar viva, de não haver nada mais senão aquele momento, aquele doente, aquela equipa e aquele objectivo único! Os tubos, as seringas, a medicação, o carro de emergência, a adrenalina que nos percorre o corpo, o som surreal e a rapidez das acções. o monitor a apitar, as seringas infusores, as drogas, as luvas, as aspiração de secreções, as manobras de reanimação... Hoje foi assim... hoje senti-me viva!
O problema da responsabilidade e do tanto pensar nas consequências é que vivemos numa impassividade, envolvemo-nos com os sonhos e não agimos. E vê-mos a nossa própria vida a afundar-se nosnossos medos. Imaginamos a bola de cristal à nossa frente e pensamos nas opções que temos. Queremos a todo o custo tomar a decisão mais correcta, e acabamos sempre por tomar a decisão que nos conduz pelo caminho mais penoso. Caminho este que, não só é o mais custoso, como ainda é agravado pelos múltiplos "ses" respectivos à outra opção não tomada.
Corpo cansado, não abandones nunca o teu rumo apesar do cansaço visível. No fim, porque existe sempre um fim, terás o repouso merecido. Não esmoreças na viagem penosa e sem vista sobre o seu terminus. Melhores dias poderão vir, ou não, e embora seja aterrador a perpetuação dos teus pesadelos... não esmoreças, por ti!